sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A lenda do Sim

Na rua deserta e umedecida pela fina garoa que caía, caminhava a passos largos o homem franzino conhecido como T. Sua pressa tinha um único motivo, não queria perder de forma alguma o jogo do Knicks, torcedor fanático que era. Fez o serviço com a destreza habitual já conhecida por seus clientes que o contratavam a peso de ouro, pagamento adiantado como de praxe, problema algum para quem escolhia um homem com tanto respeito no submundo. No caminho gabava-se de quão bom era, a encomenda fora mais fácil que pensava. Não havia motivo para tanta preparação para apagar Andy Baley, um burguesinho de merda metido em dívida de drogas. É claro que a coleta que tinha com as prostitutas de luxo facilitava, conseguia informações valiosas, e suas vítimas eram pegas por seguir sempre o mesmo roteiro: jogar nos cassinos, se entupir de drogas e depois trepar com algumas garotas em um hotel qualquer. Riu, ao lembrar-se do idiota se borrando todo, com a 45 enfiada até o talo na garganta. E a arma ainda quente, lhe aquecia confortavelmente a perna. Ao quebrar o primeiro quarteirão, deparou-se com alguns mendigos amontoados no beco, tentando vencer o frio com uma pequena fogueira. Passou sem ser molestado, o povo da rua conhece o perigo de longe, fareja a morte iminente como um cão ao seu alimento. Mas antes que pudesse deixar para trás o cheiro fétido e nauseante do local, teve seu braço segurado. Os dedos coçaram para sacar sua arma, mas se conteve e apenas com um movimento brusco puxou aquele que o abordara ao encontro dos punhos. Seus músculos relaxaram ao ver que era apenas uma velha, imunda e maltrapilha. - Não tem esmola hoje! - Na-Não quero esmolas moço. – disse a mulher pressionada no paredão gelado. – Quero apenas lhe dar um recado que o vento me trás. Ele riu. – Velha louca! Então conversa com o vento? Não seja tola! Hoje poderia ter sido seu último dia de vida. - Apenas escute a mensagem, moço. - Além de louca é burra? Não vê que ainda respira por pura benevolência minha? Tua sorte é que hoje estou sem tempo. Vá! Volte para o esgoto de onde veio. – disse ele batendo a cabeça dela contra a parede. A mulher, atordoada, saiu do caminho, mas antes que ele sumisse de vista, gritou: - Sim! Sim! A vontade dele era voltar e descarregar sua arma na cabeça da maldita mulher. Mas já era tarde e não podia perder o jogo. Seguiu para o metrô, que naquela altura estava completamente vazio. Sentou-se confortavelmente encostado na janela, duas estações e estaria enfim a poucos metros do bar onde freqüentava. Na parada da primeira estação entrou uma criança e sentou-se ao seu lado, T. estranhou ao ver o menino, o qual julgou ter no máximo dez anos, sozinho. - Garoto, não está fugindo de casa, está? O menino, branco como leite e trajado com um terno mal costurado, sequer olhou para ele. - Muito bem! Sua mãe deve ter lhe ensinado para não dar conversa a estranhos. Notando que o garoto não estava mesmo querendo papo, ou sofria de algum problema auditivo, virou-se para a janela. Sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha, ao perceber que não havia no reflexo do vidro o pequeno companheiro de assento. Virou-se novamente para o menino e este com os olhos negros como a noite, berrou de forma descomunal. - SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMM! Quase saltou do banco, e praguejou ao ver que estava sozinho no vagão. - Mas o menino, o menino... Foi tão real. Só podia ter cochilado... Mas fora tão real e tão... Tão... Assustador! Definitivamente aquela noite lhe parecia estranha. Queria chegar logo ao seu destino. Na saída do metrô, suas pernas ainda tremiam. – Porra, era só um garoto! Era só uma merda de pesadelo. Bruxa filha da puta, devia ter quebrado-lhe os dentes. Não! Não! Devia ter-lhe rachado a cabeça. No bar, enfim sentiu-se em casa, lá havia rostos familiares, por mais que T. fosse reservado, ali se soltava e trocava até algumas palavras com o balconista. Após o cumprimento amigável, foi servido com o velho Black Label de todas as noites, o gole desceu suave, seguido por um demorado trago no cigarro. E na tevê postada em um suporte no canto do bar, os Knicks entravam em quadra. Era um jogo decisivo, poderia levar seu time à tão sonhada decisão se passasse pelo Suns. Ele ficou tão preso ao jogo que pouco reparou (e foi o único no recinto que fizera isso) na loira de quase dois metros que adentrou no bar, trajando um tomara-que-caia preto. Mas essa não tirava os olhos dele, e com um gesto chamou o atendente do bar; este, após atendê-la, voltou ao balcão e sussurrou no ouvido de T: - Amigo, desculpe atrapalhar, mas creio que seja por um ótimo motivo, aquela loira maravilhosa que está sentada ali no canto, pediu que lhe entregasse este bilhete. Ele pegou o bilhete, e apenas sorriu discretamente. Tomou o resto do uísque que havia em seu copo, e o abriu. Dessa vez o gole pareceu travar na garganta tamanha a surpresa da mensagem. Em escrita bem consolidada apenas três letras recheavam o pequeno papel: SIM. T. virou-se para a mulher, e ela retribuiu com um largo sorriso. Intrigado, levantou e foi em sua direção, mas fora atrapalhado por alguns jovens que se amontoavam para ver o jogo. E nesse piscar de olhos a perdeu de vista. Olhou apressadamente por toda a parte, e mesmo os olhos treinados de um assassino frio e cruel não puderam localizá-la. Ela havia partido, e agora ele não estava delirando, se é que em algum momento estivera. O pequeno bilhete ainda estava em sua mão. Sentiu-se parte de uma brincadeira piegas, ou será... Será que alguém notou o seu pequeno serviço noturno? Estava confuso. E aquela situação atiçou seu nervosismo de tal modo, que fora meio que “sem prestar atenção em nada” para o banheiro. (Mantenha o controle. Mantenha o controle. Ninguém pode detê-lo. Você é o melhor no que faz. O melhor!) O pequeno banheiro do Massive’s Night, não era diferente dos banheiros de bares de qualquer subúrbio. A luz fosca amarelada dava um ar ainda mais sujo ao lugar, o cheiro de urina velha, misturada com um desinfetante barato qualquer, ardia nas narinas de qualquer um que ali adentrasse. Abriu sua calça e aliviou-se naquele mictório mal-cheiroso. Antes de lavar as mãos, retirou algumas folhas de papel toalha para cobrir sua mão. Não queria se contaminar com bactérias vindas de “paus sebosos”. Abriu a torneira e encheu as mãos, lavando em seguida o rosto, repetiu isso por duas vezes, e com os olhos fechados tateou o porta-toalhas. Enxugou o rosto com o papel, e quando abriu os olhos não viu apenas sua imagem. Além do seu reflexo, havia no espelho, escrito a dedo no vidro pouco embaçado, a palavra SIM. Passou as mãos sob a cabeça raspada, para enxugar as pequenas gotas repousadas, meteu a trava na porta e sacou sua pistola, antes de conferir se havia mais alguém ali. (Vocês não vão me pegar! Não vão! Estouro seus miolos antes que respirem, antes mesmo que possam piscar) Guardou sua arma novamente e saiu do banheiro. Desconfiando de todos que ali estavam, pagou sua conta, deu uma pequena conferida no jogo e saiu apressadamente. Sua cabeça estava a mil com tudo aquilo, e ele só queria ir para casa. Em sua mente uma voz estranha começou a sussurrar: SIM! SIM! SIM! SIM! Ele, no desespero, começou a andar mais e mais rápido, e aquela voz martelava em sua mente, em um ritmo cada vez maior. Ao passar em frente a uma loja de eletrônicos, teve a impressão de ver em todas as telas a mesma mensagem. Com o susto atravessou a avenida, e distraído não percebeu o Maverick azul que dobrara a esquina em alta velocidade, seu corpo fora atirado com brutalidade e seu sangue coloria de vermelho a calçada cinzenta. Estava consciente e sentia que não ia escapar com vida dali, pensou na ironia do destino, morrer de uma forma tão banal, pois, para um matador de aluguel como ele, morrer assim era quase uma humilhação. Quem o atropelou nem sequer parou para prestar socorro, e ele ficou ali, estirado por um longo tempo, sentindo a morte chegar lentamente. Tempo suficiente para ver sua vida passar como um filme, desde a infância até aquela noite, quando após subornar o zelador do hotel, entrou no quarto 105, e encontrou seu alvo completamente distraído na banheira, ele aguardava sua acompanhante. Mas mal sabia que essa, além de não aparecer havia lhe entregado para seu executor. - Serviço de quarto... – disse T. apontando a arma para Baley - Q-Quem é você? - Você deixou alguém muito, mas muito aborrecido garoto. - Mas.. - CALE A BOCA! CALE A MALDITA A BOCA, OK? (silêncio) - Isso, assim está bem melhor rapaz. Agora onde eu estava? Ah sim! Você deixou alguém muito aborrecido, e essa pessoa me pediu que viesse dizer isso a você. Mas, sabe como é, não sou muito bom com as palavras. - Na-Não pelo amor de d... - CALE-SE! – enfiando a arma na boca do rapaz – Não sou bom com as palavras, e vou resolver do meu jeito. Vou mandar você para o inferno. Quando chegar lá, pergunte ao diabo se tem um lugar para mim... Nas ruas, as pessoas começavam a chegar aos montes, gritando, se abraçando. Os fogos coloriam o céu. O Knicks havia vencido. Mas para T. isso não faria diferença... Era o fim da linha para ele. E a mensagem tão repetida naquela noite agora fazia sentido.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Boneca Dara

Lendas da Boneca Dara Em 1995 estreou na Rede Globo uma novela chamada Explode Coração onde os personagens principais eram ciganos, dentre eles havia uma moça bonita chamada Dara que lia a sorte das pessoas na rua. Então na metade daquele ano, embalada no sucesso desta novela, a fábrica Estrela lançou uma boneca cigana chamada Dara. Bastava fazer uma pergunta e depois apertar na mão deste brinquedo, que o gravador de dentro dele, dizia respostas como: “vai dar tudo certo”, “não se preocupe”, “esta é a decisão correta”, etc. Minha família inteira passou o Natal, de 1995, na casa de praia da minha tia Euni. Então lá ganhei a boneca Dara de presente. Assim reuni meus primos, amigos e começamos a brincar com o meu novo presente. Desta maneira, fiz a seguinte pergunta e peguei no braço do brinquedo: - Terei um bom emprego? O gravador de dentro da boneca respondeu: - Tudo dará certo. Meu primo Rodrigo indagou ao brinquedo: - Serei rico? A boneca disse: - Não se preocupe. De repente, este garoto teve a seguinte idéia: - Vamos fazer a brincadeira do copo? Todas as crianças presentes concordaram. Desta maneira fui até a cozinha, peguei o copo e levei o objeto até o quarto. Depois pegamos um caderno e recortamos quadradinhos com todas as letras do alfabeto. Após isto realizamos uma oração. Então coloquei o dedo no copo e perguntei: - Tem alguém, aí? Nenhum espírito se manifestou. Meu primo Rodrigo e meu amigo Cleverson fizeram o mesmo ato e nada. Alguns minutos depois o copo se arrastou sozinho até a parede, bem ao lado da boneca, e quebrou-se. A noite chegou e dormi naquele mesmo quarto. A boneca Dara estava no chão, bem ao lado do beliche. No escuro tive a impressão de estar sendo observada pelo brinquedo, mesmo assim conseguir dormir. No dia seguinte fiz a seguinte pergunta à Dara: - Serei feliz no amor? Mas em vez da frase do gravador, escutei um ronco estranho: - Ron,Ron,Ron... No meio deste barulho havia um ruído muito parecido com os de chamas queimando. Contei o fato ao meu primo Rodrigo, que indagou à boneca: - Serei feliz? E um outro ruído estranho, acompanhado de barulho de chamas, surgiu de dentro do brinquedo: - On, on, on... Então Rodrigo exclamou: - Isto é o espírito do copo que entrou dentro da boneca! - Tenho certeza de que é uma alma que estava no inferno, que entrou dentro deste brinquedo, por causa do ruído de fogo. Fiquei com medo de Dara, mas não me desfiz dela no Litoral. No mesmo dia, subimos a serra e voltamos para Curitiba, onde dei a boneca para a neta de uma vizinha. Três dias depois vi a menina dando esta boneca para uma mendiga. Acredito que isto aconteceu porque algo estranho ocorreu com o brinquedo. Na volta às aulas comentei sobre o fato com uma amiga que gostava de misticismo. Minha colega disse que espíritos do copo, realmente, podem se instalar dentro de brinquedos. Além disto, ela comentou que existe a cigana Dara na Umbanda e que esta moça foi uma pessoa que teve a vida difícil, mas que era dotada de poderes sobrenaturais. Minha amiga, também explicou, que esta entidade não gosta de artifícios da baixa magia, como a evocação do copo, por exemplo e quando um brinquedo é batizado com o nome dela, a vibração desta cigana fica nele, por isto a entidade pode se enfurecer. Após esta explicação nunca mais quis saber da brincadeira do copo e nem de bonecas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A dama da academia

Isabela era uma menina de pouca beleza e um corpo pouco apreciável, depois de tanto insistir para sua mãe ela a colocou em uma academia no bairro de Ramos, no estado do Rio de Janeiro. Animada ela estava ao ver que poderia mudar aquilo que tanto a incomodava e fazia ser ridicularizada entre os outros, mas não foi bem como ela esperava que fosse, na academia muitos riam de sua forma física pois ela alem de não evoluir muito depois de um longo tempo de musculação ainda sim seu rosto não era dos mais bem vistos. Um dia como já era de rotina ela foi malhar e o pessoal como de costume a zuou só que dessa vez alem de zuar a levaram para o banheiro da academia e assim 3 rapazes a estupraram até a morte, mas antes de matá-la disseram uma frase para a menina você não quer malhar então ta ai sua malhação pois sem dor não a resultado.. Duas semanas depois em um acidente de carro esses 3 amigos vieram a morrer. Ninguém momentaneamente ligou os fatos, mas a partir do momento em que outra aluna entrou na academia e foi guardar seus pertences no armaria que era de Isabela, achou um envelope ,manchado de sangue e dentro havia um cordão, um pircing e um anel, cada pertence desse era de um dos meninos segundo seus amigos de academia e junto aos objetos havia um pequeno papel escrito sem dor não a resultado. Até hoje existem boatos que a noite ouvisse os aparelhos da academia em funcionamento, há quem diz que ao passar pelas proximidades da academia já viu uma menina vagando por La e que os chama sempre repetindo aquela frase SEM DOR SEM RESULTADO.

A fábrica maldita

A família Hagruvares, era dona da mais famosa fábrica de linhas de Minie City. Era a família mais rica e famosa da cidade, sobre o comando de Peter, o chefe da família que valorizava a fabrica mais do que tudo. Porém, em uma chuvosa tarde, uma nova fabrica de linhas, maior e melhor, foi construída na cidade. Tamanho foi o sucesso da nova fábrica, que a expansão obrigou a venda da fabrica Hagruvares. A família, muito triste, curtia os últimos instantes na fábrica. A tristeza era tanta, que a caçula Doroty, se descuidou com uma máquina ligada, e o ventilador que refrigerava o equipamento acabou sugando seu cabelo, levando-a a morte. O mesmo aconteceu com o resto da família ao tentar salvar a pequena. O único sobrevivente foi Peter, que jurou vingança ao resto do povo de Minie City, por permitir a substituição da fábrica, e a morte da família. Ele então, ia de porta em porta, prometia novelos de lã de graça, e levava o "cliente" até a fábrica, onde era colocado em uma câmara de tortura até a morte.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A Cigana do Pandeiro

Lenda da Cigana do Pandeiro Num reino da Idade Antiga havia uma jovem chamada Márcia, que curava as pessoas doentes através de seus poderes paranormais e de fórmulas mágicas. Por isto o povo apelidou a moça de bruxa. Um certo dia, o príncipe Felipe ficou muito doente. Então o rei mandou chamar Márcia. Esta garota ao colocar os olhos em Felipe se apaixonou por ele e tirou sua enfermidade através de feitiços. Uma semana depois o príncipe casou-se com sua amada Amanda. Assim, Márcia ficou enfurecida e jogou uma praga: - A partir da data deste matrimônio, nesta vila não haverá mais Sol e muito menos arco-íris. Aqui só existirão chuvas e tempo nublado para todo o sempre. Desta maneira o tempo fechou e permaneceu assim por muitos anos. Um belo dia, uma caravana de ciganos aproximou-se daquele reino e montou acampamento lá. Logo estranharam o mau tempo, mas pensaram que se tratava de uma chuva passageira. Naquela mesma tarde eles desfilaram pelas ruas da vila trazendo muita alegria, dança, canto e harmonia. O príncipe, que olhava tudo pela janela, convidou os ciganos para se apresentarem no castelo. Desta maneira, estes artistas deram um espetáculo no palácio durante a noite. Após o show, a cigana chamada Sol aproximou-se da princesa Amanda e comentou: - Seu reino é muito bonito, pena que este clima nublado parece ser eterno. Então a nobre comentou: - O problema é que este clima é, realmente, eterno por causa de uma praga que uma feiticeira lançou. Diz a lenda que só uma mulher estrangeira e virgem pode libertar a nossa terra das tempestades eternas se ela tocar um instrumento mágico feito de um animal que é manso de dia mas que, nas Luas Cheias, pode ser feroz. Ao escutar isto, Sol tentou tocar todos os instrumentos que o seu povo tinha: violino, gaita, lira e tambor. Porém nada fez efeito. Assim, a moça se despediu dos nobres e voltou ao seu acampamento. Então ela orou: - Santa Sara, por favor, me dê uma luz! Naquele momento Michel, o avó de Sol, estava sentado numa banqueta em frente à tenda. Quando, de repente, uma cabra saiu correndo em direção ao idoso. A jovem cigana, ao perceber isto, pegou uma lança que estava ao seu lado e lançou em direção ao animal furioso, que morreu na hora. Ao se aproximar do bicho morto, ela achou um aro de metal caído no chão. Naquele instante a moça teve uma idéia: - Farei um instrumento musical com o couro desta cabra, com este aro de metal e com as platinelas que estão na minha tenda. Esta jovem passou a madrugada inteira fazendo um pandeiro com o material achado. Deste jeito, quando chegou às dez da manhã, o instrumento já estava pronto e ela resolveu tocá-lo no meio da tempestade. De repente, a chuva parou, o Sol se abriu e um enorme arco-íris surgiu no céu. Alguns minutos depois as cores do arco-íris vieram em direção ao seu pandeiro e viraram fitas dentro dos buracos deste instrumento. A princesa Amanda e o príncipe Felipe, que viram tudo pela janela, ficaram tão contentes com o fato que presentearam os ciganos com um baú cheio de tesouros. Assim surgiu a lenda da Cigana do Pandeiro. 

A cabeça de cuia

A lenda da Cabeça de Cuia, assim como quase todas as lendas que fantasiam e atraem a imaginação do povo brasileiro, é contada de várias formas e possui várias versões, e a cada pessoa que a estória é passada, transmite-se novos fatores que acabam por afastar da realidade a verdade sobre a lenda. O Portal Cabeça de Cuia, após grande pesquisa, traz o relato mais próximo do que teria sido a maior das lendas do Piauí: Crispim era um jovem rapaz, originário de uma família muito pobre, que vivia na pequena Vila do Poti (hoje, Poti Velho, bairro da zona norte de Teresina). Seu pai, que era pescador, morreu muito cedo, deixando o pequeno Crispim e sua velha mãe, uma senhora doente, sem nenhuma fonte de sustento. Sendo assim, Crispim teve que começar a trabalhar ainda jovem, também como pescador. Um dia, Crispim foi a uma de suas pescarias, mas, por azar, não conseguiu pescar absolutamente nada. De volta à sua casa, descobriu que sua mãe havia feito para o seu almoço apenas uma comida rala, acompanhado de um suporte de boi (osso da canela do boi). Como Crispim jazia de fome e raiva, devido à pescaria fracassada, enfureceu-se com a miséria daquela comida e decidiu vingar-se da mãe por estarem naquela situação. Então, em um ato rápido e violento, o jovem golpeou a cabeça da mãe, a deixando a beira da morte. Dizem, até mesmo, que de onde deveria sair o tutano do osso do boi, escorria apenas o sangue da mãe de Crispim. Porém, a velha senhora, antes de falecer, rogou uma maldição contra seu filho, que lhe foi atendida. A maldição rezava que Crispim transformasse-se em um monstro aquático, com a cabeça enorme no formato de uma cuia, que vagaria dia e noite e só se libertaria da maldição após devorar sete virgens, de nome Maria. Com a maldição, Crispim enlouquecera, numa mistura de medo e ódio, e correu ao rio Parnaíba, onde se afogou. Seu corpo nunca foi encontrado e, até hoje, as pessoas mais antigas proíbem suas filhas virgens de nome Maria de lavarem roupa ou se banharem nas épocas de cheia do rio. Alguns moradores da região afirmam que a Cabeça de Cuia, além de procurar as virgens, assassina os banhistas do rio e tenta virar embarcações que passam pelo rio. Outros também afirmam que Crispim ou, a Cabeça de Cuia, procura as mulheres por achar que elas, na verdade, é sua mãe, que veio ao rio Parnaíba para lhe perdoar. Mas, ao se aproximar, e se deparar com outra mulher, ele se irrita novamente e acaba por matar as mulheres. A Cabeça de Cuia, até hoje, não conseguiu devorar nem uma virgem de nome Maria. Em 2003, foi instituído pela Prefeitura Municipal de Teresina, o Dia da Cabeça de Cuia, para ser comemorado na última sexta-feira do mês de abril.

O quadro

Tudo começou em 1600 no auge da escravidão no Brasil. Um fazendeiro, que vivia na região do interior da Bahia conhecido por ser muito ruim nos maus tratos aos seus escravos, resolve pedir a um pintor local que pintasse um quadro dele e sua família. O pintor chega ao local e faz o que o fazendeiro havia lhe pedido. Na hora de pagar, o fazendeiro deu menos do que haviam combinado. Após reclamar sobre o ocorrido, o fazendeiro mandou seus capatazes prenderem o pintor juntamente com os outros negros. Mas antes ele receberia um castigo por ter afrontado o dono daquelas terras. O pintor não resistiu às chibatadas e morreu naquela tarde. Mas antes de morrer, já fraco, uma mãe-de-santo lhe disse: aquele a quem sirvo lhe mandou dizer que se você lhe der sua alma, ele faz aquilo que você mais deseja. O pintor disse: diga a seu mestre que ele terá, mas quero que aquele que fez isso comigo, pague com o pior castigo. Dito isso, ele morreu. No dia seguinte, quando soube da morte do pintor, o fazendeiro ficou alegre e deu uma festa para seus capatazes. À noite, quando todos foram dormir, o fazendeiro teve um sonho: ele estava levando chibatadas como um negro e sangrava muito. Pela manhã o fazendeiro foi encontrado morto no chão da sala com marcas de chibatadas nas costas que faziam seus órgãos aparecerem. Anos se passaram. A fazenda foi comprada por outro fazendeiro, tão ruim quanto primeiro. Ele manteve muitos móveis dos antigos donos na casa-grande inclusive o quadro. Numa noite de lua cheia, após dois negros serem mortos com chibatadas, o fazendeiro teve o mesmo sonho do outro, mas com uma diferença: ele via do quadro sair à imagem do pintor que lhe deferia as chibatadas rindo com uma gargalhada pavorosa. Pela manhã, o fazendeiro estava morto na sala, da mesma forma que o antigo dono da casa. Um dos filhos desse fazendeiro ficou intrigado com o que ocorrera e procurou saber o que aconteceu. Soube que o antigo dono da casa morrera da mesma forma que o seu pai e ao procurar uma mãe-de-santo, soube que o espírito do pintor que matou o seu pai e o antigo dono estava preso no quadro que fora ele que pintara. E tudo que ele fazia era por vingança. O rapaz não acreditando muito na história, chegou em casa e procurou o quadro. Notou que dentre as pessoas que ali estavam, uma pessoa ao lado do fazendeiro sorria diabolicamente. Ele pegou o quadro e ateou fogo. Quando o quadro foi se queimando, um grito pavoroso se ouviu e na mesma hora, várias chibatadas estavam sendo desferidas no rapaz que morreu além das chibatas, queimava junto com o quadro. A família se mudou do local, pois após o ocorrido coisas estranhas aconteciam. O canavial pegava fogo e quando iam ver, nada estava queimado. Capatazes apareciam mortos ora com marcas das chibatadas, ora queimados. 300 anos depois, a fazenda fora vendida e quando os novos donos começaram a olhar a casa, acharam na sala principal o quadro do fazendeiro e sua família e a imagem do pintor com um sorriso de escárnio. Depois de alguns dias, se ouvia vozes pela casa, gritos na fazenda, barulhos de pessoas sendo açoitadas e gritando por ajuda. A família saiu dali e nunca mais quis voltar na casa. Dizem os moradores que moram perto da fazenda que ainda se ouve os mesmos barulhos de gritos e vozes pela fazenda. Ninguém se atreve a por os pés lá, pois todos têm medo de olhar para o quadro e ver o sorriso do mal preso pronto pra fazer novas vitima.